Você já deve ter ouvido falar sobre Inteligência Emocional, mas sabe identificar como ela se manifesta? Alguns acreditam tratar-se do controle das próprias emoções, como se pudéssemos comandar os nossos sentimentos e sensações. O pior é que trazemos uma concepção de mundo Cartesiano, em que tendemos a polarizar os opostos. Logo, se não acreditamos ter inteligência emocional, sentimo-nos emocionalmente “burros” (frágeis).

Passamos então a admirar as pessoas que concebemos serem inteligentes e fortes, como se nelas não houvessem ignorância e fraquezas. Trata-se da necessidade de criarmos e seguirmos heróis, cuja fortaleza torna-se a salvação. Desse modo, idealizamos um estereótipo surreal, de heróis ou modelos inexistentes, pois onde há fortaleza, também existe fraqueza. Afinal, não somos seres dicotômicos, dotados de Forças OU Fraquezas, Alegrias OU Tristezas, Qualidades OU Defeitos, Bondades OU Maldades etc. Na verdade, somos um POUCO de TUDO ao MESMO TEMPO – Fortes E Fracos, Inteligentes E Ignorantes, Corajosos E Medrosos – estando as polaridades sempre a se revezar.

Nesse sentido, perceba que não precisamos SER uma coisa OU outra. Somos todos parecidos, respeitando a relatividade das nossas diferenças e circunstâncias. A exemplo, se você mora numa metrópole e detém o conhecimento tecnológico, é provável que se entrar em contato com um humilde agricultor, ele não saiba operar o seu avançado celular. Nesse momento, você pode concebê-lo como ignorante, mas, se ele lhe entregar uma enxada e pedir para você plantar, provavelmente a ignorância mudará de lugar. Ou seja, cada um tem a sabedoria e ignorância que lhe convém.

Sócrates, um sábio filósofo, já dizia: “Quanto mais sei, só sei, que nada sei”. Não que ele soubesse pouco, mas compreendia que o conhecimento absoluto é inalcançável. Logo, somos todos falhos, incompletos e vulneráveis. Posto isto, compreender-se simplesmente humano, nem melhor, nem pior do ninguém, evita um dos grandes males dos nossos atuais sofrimentos, que é o espelhamento. Uma vez que estamos sempre a nos espelhar em alguém (comparar).

Por isso, é que CORRE O RISCO de irmos a academia e nos sentirmos frustrados ao observar corpos sarados. Ou de nos sentirmos impotentes, ao vermos casais hipoteticamente bem relacionados. Ou de surgir um sentimento de incapacidade ao nos depararmos com pessoas bem sucedidas financeiramente ou mais inteligentes etc. Porém, em algum momento, você já parou para pensar se a pessoa com um corpo escultural está igualmente satisfeita com as suas finanças e os seus relacionamentos? Será que o empresário bem sucedido está feliz com o seu corpo e afeto? Ou será que o casal “nota 10” está em dia com as suas contas e a saúde? Enfim, enquanto nos compararmos somente aos PONTOS FORTES da vida de alguém, iremos nos sentir FRACOS, pois passamos a viver de PARTES e não da REALIDADE do TODO.

Uma vez que compreendermos a subjetividade, a flexibilidade e a vulnerabilidade da natureza humana, saberemos lidar melhor com a nossa “Inteligência Emocional”, que horas pode se mostrar forte, horas frágil, não havendo mal nenhum nisso. Mesmo porque, se esconder por detrás de uma aparente força descomunal, pode desenvolver em nós uma “Inteligência Artificial”, cuja sustentabilidade fica comprometida.

Acredito que, inteligente mesmo é quem se permite viver a emoção de forma plena sem se preocupar com que os outros vão pensar. Sorrir quando tiver que sorrir e chorar quando tiver que chorar. Não devemos sentir vergonha ou seguir padrões, pois o que nos adoece são as comparações. Apenas se conheça melhor para lapidar suas PERCEPÇÕES.

Há quem diga para quem sofre: “Seja forte” ou “Larga de ser mole”. Outros desdenham: “Isso é besteira” ou intitulam tal sofrimento como tempestade em copo d´água. “Afinal, existem dores piores”. Entretanto, não devemos pormenorizar ou menosprezar a dor dos outros, pois a dor é um sentimento que independe da razão. Como no caso da depressão, que nem sempre está atrelada a uma causa aparente. Logo, a dor é uma manifestação que deve ser respeitada sob o viés da subjetividade humana. Só quem sente, sabe pelo que está passando, não nos cabendo o julgamento, nem a comparação com terceiros.

Muitas pessoas sofrem em silêncio, por temerem o julgamento e a incompreensão alheia. Até mesmo porque, às vezes, nem elas mesmas se compreendem ou se aceitam na dor, pois “alguém” um dia lhes falou que nascemos para a felicidade e o amor. Por isso, aprendemos a ter vergonha de chorar, por associarmos choro a fraqueza e a tristeza. Como se as lágrimas fossem sinônimo de derrota ou inadequação. No entanto, quem nunca chorou por um gesto de amor ou de felicidade após uma conquista?

Em vez de nos questionarmos sobre o que sentimos, deveríamos compreender que, viver o amor, assim como a dor e o luto, faz parte da natureza humana e do nosso processo evolutivo. Vivemos em um mundo de Ganhos e Perdas, em que alegrias e tristezas vão se revezar a todo momento. Segundo Lacan, “somos seres desejantes destinados a incompletude, e é isso que nos faz caminhar”. Ou seja, vivemos em prol do que nos falta, porque se já tivéssemos tudo, a vida perderia o sentido. Nesse sentido, a inquietude e a insatisfação são peças fundamentais para nos mantermos vivos e sempre em busca de novos objetivos.

Porém, por entendermos erroneamente, que nascemos simplesmente, para a felicidade plena, é que nos sentimos pássaros fora do ninho, por não nos enquadrarmos a essa falsa realidade. Logo, o problema não é SOFRERMOS pelo que não temos ou por quem ainda não somos, mas DESEJARMOS e IDEALIZARMOS o inalcançável (plenitude). Por isso, compreenda, que o primeiro passo para conquistarmos a nossa inteligência emocional, é elevarmos o nosso nível de consciência, para evitarmos sentimentos tóxicos associados a falsas expectativas.

Ironicamente, se somos pobres, vivemos de “faltas”, mas se somos ricos, vivemos para o que nos falta também. E não me refiro aqui, somente a luta capitalista pelo TER, uma vez que esse sentimento de vazio também está presente na busca do SER, pois comumente não estamos satisfeitos com o que TEMOS e/ou com quem SOMOS. Isso ocorre, como já mencionei, por querermos Ser, Ter e Viver a realidade dos outros. Sendo que estes outros, são os nossos desejados e idolatrados pseudo-heróis, representados atualmente, nos papéis de Gurus, Ídolos, Mentores e, tantos outros, que vendem a controversa imagem de vida fácil e felicidade plena.

Não quero aqui, negar algumas realidades ou as possibilidades de dias melhores. Porém, entenda, que para você ser feliz, não precisa NECESSÁRIAMENTE transformar a vida de ninguém, salvar o mundo ou ser conhecido e reconhecido como FODA. Podemos e devemos ser felizes de diversas formas, dentre elas, parando de nos espelhar, desejar e comparar aos outros. Pois essa onda de modelar perfis de sucesso, faz com que existam FAKES DEMAIS e pessoas REAIS de MENOS. Ande na contramão dos modismos, porque o que nos constituem SERES ÚNICOS, são as nossas DIFERENÇAS. Por isso, não perca a sua identidade, personalidade e essência, sem perceber a diferença entre QUEM É VOCÊ e o que DIZEM que VOCÊ DEVER SER. Não use máscaras, seu autodesenvolvimento carece de autenticidade.

Por fim, reflita e compreenda que toda felicidade deve começar de dentro para fora. Logo, amadureça, para não se tornar um adulto infantilizado que ainda acredita na “Liga da Justiça”, cujo heróis virão lhes salvar. Não transfira ou entregue a responsabilidade das suas conquistas nas mãos de ninguém. Seja protagonista ou coadjuvante, mas seja você. Se permita transitar por todas as emoções. Você não pode controlar o que está sentindo, mas pode escolher o que fazer com seu sentimento. Só não estacione na dor ou na alegria, para evitar a instalação da depressão ou euforia.

Equilíbrio, não é um estado de constância sem oscilação, o nome disso é engessamento e medo de viver a vida. Equilíbrio é VOCÊ se PERMITIR VIVER todo e qualquer SENTIMENTO sem se VITIMIZAR ou VANGLORIAR, apenas deixando FLUIR a sua condição de EXISTIR.

Márcio Vaz
Palestrante, Psicólogo e Coach
www.marciovaz.net

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