E aí, o seu dia foi ruim, ou você passou o dia inteiro remoendo o mesmo problema? Reflita…

Outro dia fui questionado numa Live, se as pessoas já nasciam com a tendência de procurar e colocar defeito em tudo? Porque, segundo o interlocutor, o ser humano é muito negativo. O que de fato, não se trata de uma mentira, mas, ao mesmo tempo, não se trata de uma verdade, pois, na realidade, não existem verdades absolutas. Afinal, tudo é relativo, uma vez que a subjetividade humana se constitui ao longo da nossa existência, estando esta, sob forte influência cultural. Tanto de uma macro, quanto uma micro cultura como a familiar. Portanto, a maior parte das pessoas seguem um padrão mental adquirido pela convivência.

Trata-se de um contágio social, onde a ideia mais propagada por um grupo é a que mais impera, contagia e contamina. Daí surgiu a frase: “Você é a média das 05 pessoas com quem mais convive”. Em outras palavras, as nossas mães já diziam: “Diga-me com quem andas, que eu te direi quem tu és”. Óbvio, que existem exceções, logo, não podemos generalizar. Porém, perceba que, quando saímos com 05 amigos animados, o nosso astral vai lá pro alto. Agora, caso saiamos com 05 amigos cabisbaixos, a nossa energia vai lá pra baixo. Ou seja, de fato somos seres influenciáveis e fluídicos, motivo pelo qual os nossos sentidos captam a energia que está “no ar”, liberadas através das nossas palavras, exemplos, posturas, vibrações etc.

Nesse sentido, o indivíduo não nasce com uma tendência, mas torna-se tendencioso ao longo da sua existência. Por isso, devemos sempre nos unir a pessoas que compactuem e queiram compartilhar de um mesmo ideal, afim de canalizarmos boas energias. Pois assim, somamos as nossas forças para alcançar um objetivo em comum. No entanto, como vivemos numa Era muito negativa, cuja audiência é voltada para a tragédia e o caos, tendemos a ajustar o nosso foco no modo pessimista. Comprometendo assim, o nosso padrão mental que se habitua a focar no que dá errado ou no que não presta.

Razão pela qual, recentemente um paciente me disse na consulta: “Hoje eu tive um dia péssimo”. Então eu perguntei: “O que houve?”. No que ele respondeu: “Meu chefe me chamou a atenção na frente de todos”. Daí o indaguei: “Essa advertência durou quanto tempo?”. E ele disse: “Sei lá. Acho que cerca de 1 minuto”. Nessa hora me mostrei compreensivo, mas trouxe-lhe uma reflexão ao perguntar quantas horas tem um dia? E quando ele me respondeu 24 horas, eu o confrontei indagando: “Quer dizer que o seu dia foi péssimo, porque durante 1 minuto, você levou um “carão” do seu patrão. Mas e as outras 23 horas e os 59 minutos em questão, não contam nada para você?”. Ou seja, será que os nossos dias são verdadeiramente ruins, ou somos nós que remoemos e/ou supervalorizamos um desgosto o dia inteiro?

Embora ter a nossa atenção chamada na frente dos outros, possa nos incomodar. Não devemos dar tanta vazão a desconfortos corriqueiros, pois a vida não é uma colônia de férias para que os nossos dias sejam todos “perfeitos”. Na vida real, não vivemos um dia ideal, porque nem tudo está sob o nosso controle. Desse modo, torna-se natural nos depararmos com inúmeros contratempos, uma vez que convivemos com pessoas completamente diferentes e hierarquicamente acima ou abaixo da gente. Logo, seja na nossa vida profissional ou pessoal (pais/filhos), estaremos sempre a representar um papel de comando ou obediência, onde às vezes cobramos e outras vezes seremos cobrados.

Cientes disso, devemos inclusive, evitar o excesso de auto cobrança, pois quem muito se cobra, não se aceita na sua SUPOSTA imperfeição, uma vez que, até mesmo os nossos “defeitos”, são questionáveis. Afinal, são as nossas imperfeições que nos tornam perfeitos para alguém, pois quem se recrimina por ser tímido, desconecta-se de quem aprecia a timidez. Quem se maquia para encobrir as imperfeições, desagrada quem valoriza a beleza natural e o estilo despojado. Enfim, cabe-nos refletir aqui, sobre a nossa falsa “Bolha da Perfeição”, porque a nossa “Melhor Versão”, não é unanime. Por isso, devemos começar a caminhar e progredir com a nossa versão imperfeita mesmo. Da mesma forma, o nosso dia ideal se dará quando diminuirmos as nossas expectativas a respeito de um dia perfeito, aprendendo a FOCAR no que verdadeiramente IMPORTA.

A exemplo, trago o relato de outro paciente que, entre uma consulta e outra, retornou dizendo que teve uma semana péssima. Quando o questionei sobre o motivo, ele mencionou ter tido 3 picos de ansiedade nesse período. Então comecei a investigar a respeito das circunstâncias e sensações, tomando conhecimento de que cada pico de ansiedade durou cerca de 40 segundos e foram controlados através da respiração. Embora o tempo pareça ser irrisório, para ele que já havia passado por uma síndrome do pânico, a proporção era sempre maior por temer o retorno do transtorno.

No entanto, o contexto ao qual ele estava inserido no momento, era completamente diferente, tendo ele agora autonomia para encarar e enfrentar certos problemas. Nessa hora, eu também o confrontei, ao pedir para ele multiplicar 40 segundos vezes 3, que davam exatos 120 segundos. Isto é, “apenas” 2 minutos. Em seguida perguntei quantas horas tem um dia e quantos dias tem uma semana. Daí multipliquei as 24 horas pelos 7 dias, totalizando 167 horas. Aproveitei a ocasião para gerar a mesma REFLEXÃO em relação ao TEMPO e como O PERCEBEMOS, pois, a semana do meu paciente foi tida como péssima, por conta dele focar mais nos 2 minutos de ansiedade, do que valorizar às 166 horas e os 58 minutos em que suas emoções estiveram equilibradas.

Ou seja, enquanto nós focarmos mais nos fatos negativos do que nos positivos, iremos comprometer a nossa energia. Agora, se voltarmos mais a nossa atenção (foco) as oportunidades e aos bons acontecimentos, sem que, pra isso, precisemos negar os incômodos, veremos que, muitas vezes, temos mais motivos para agradecer do que para reclamar da nossa vida. Já os “pequenos” indícios de ansiedade do meu paciente, devem sim, ser relatados e levados em consideração na terapia, até para que possamos monitorá-los evitando a evolução dos sintomas. Porém, devemos evitar dar-lhes tanta atenção ao longo da jornada, no intuito de não ampliarmos a sua dimensão.

Enfim, assim como com uma lupa, tudo que focarmos, irá se expandir. Motivo pelo qual, quanto MAIS envolvidos emocionalmente estivermos com os nossos problemas, MENOS acesso teremos as soluções. Visto que, a solução passa a ganhar o mesmo grau de dificuldade e a mesma proporção que dermos ao problema. Por isso é que temos tanta facilidade para opinar no que os outros devem fazer para solucionar seus dilemas, mas extrema dificuldade para resolvermos os nossos próprios problemas. Até mesmo porque, quem observa de fora, pensa com a razão, já quem experiência, fica preso na emoção.

Desse modo, AJUSTE seu FOCO para o que acontece de bom no seu dia-a-dia, pois só assim você irá desenvolver um padrão mental positivo que evita procurar e achar mais problemas do que os que a vida já nos traz inevitavelmente.

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Márcio Vaz
Palestrante, Psicólogo e Escritor
www.marciovaz.net

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