Muitos pacientes me ligam ou enviam mensagens após uma noite mal dormida, um momento de angustia ou ansiedade, um sentimento repentino de tristeza etc. Enfim, sensações incomodas que os angustiam. Após o relato do ocorrido, surge a pergunta que não quer calar: O que eu faço agora Dr.? E a minha resposta normalmente é: “NADA”. Peço calma e digo: “Amanhã é outro dia, vamos observar”. Óbvio que nem sempre com essas palavras ou de forma tão resumida, mas a ideia é acalmar e naturalizar os sintomas. Calma, ainda vou explicar.

Embora muitos temam perder a sua saúde mental ou recair de uma patologia recém superada, faz-se importante compreender que, por razões diversas, que englobam uma análise biopsicossocial bem mais ampla e complexa, torna-se cada vez mais comum, uma pessoa apresentar sintomas esporádicos de insônia, apatia, ansiedade, angustia etc. Afinal, vivemos numa nova Era, meio a tantas informações, atribuições e atribulações que, comumente, oscilam o nosso metabolismo e as nossas emoções.

Inseridos nesta triste realidade tida como moderna, somatizamos sintomas quando nos cobramos demasiadamente, sentimos cobrados, ou nos frustramos com a quebra das nossas falsas expectativas. Porém, o que torna um sintoma patológico, não é a sua manifestação em si, mas sim, a intensidade e repetição com que ocorre. Por isso, sempre peço calma, porque uma noite mal dormida, um momento de tristeza, angustia ou ansiedade, qualquer um pode ter. Até porque, não dá para passar o dia todo sorrindo ou permanecer neutro diante de certos percalços.

Ciente disto, quando um sintoma se manifestar, respire, tente manter a calma, mudar o foco e seguir em frente. Em seguida, observe quantos dias tais sensações irão durar, pois só devemos nos preocupar, quando um sintoma se tornar contínuo ou estiver associado a tantos outros prejudiciais. Logo, não há nada de errado, em sentir “frio na barriga”, pelo contrário, significa que você está vivo e diante de novos desafios. Saiba que tudo aquilo que vira foco na sua vida, se expande. Inclusive, os sintomas que podem tanto ser intensificados, quanto amenizados quando ressignificados.

Ou seja, o problema não é o sintoma em si, mas sim, o significado a ele atribuído. Pois você pode compreender seus sintomas como fortes aliados que alarmam quando algo está fora do lugar. Em outras palavras, saiba que o seu CORPO também “fala”. Por isso, quando está quente, ele produz suor para resfriar. Assim como, quando está frio, treme para se aquecer. Da mesma forma ocorre com as nossas sensações de angústia, ansiedade, medo, dentre outras, que se manifestam para avisar que devemos nos cuidar, prevenir e/ou preparar para enfrentar um possível desconforto. Agora, você já imaginou um corpo mudo? Acompanhei o dilema de uma pessoa que não sentia DOR, mas que, em compensação, vivia a se ferir, queimar e machucar, sem se dar conta.

Nesse sentido, reafirmo: Em vez de você perceber a sua angústia e/ou ansiedade (moderada), como algo nefasto, compreenda como um sinal positivo que se manifesta ou um alarme que toca para despertá-lo(a) para um compromisso inadiável e providencial, sendo este o de acordar para vida. Afinal, se não houver sinal, tudo permanecerá igual. Por isso, saiba que, às vezes, quanto maior for o seu desconforto, maiores são as chances de você estar saindo da sua Zona de Conforto. Expandindo seus horizontes. Enfrentando seus medos, em nome de um propósito ainda maior, que o levará a outro patamar. Porém, entenda que tudo trata-se apenas de uma crença, uma percepção, uma interpretação dos sintomas e dos fatos, mas que cabe a nós darmos o significado mais apropriado.

A exemplo, trago meu caso que, após acidente, fiquei 10 anos parado sem acreditar no meu potencial. Não acreditava que uma pessoa que só mexesse a cabeça, pudesse agregar valor no mercado do trabalho. Me via como um inválido, até descobrir que nada é ruim o suficiente, que não possa piorar, pois meu pai infartou e na hora de pagar o hospital, também descobri que estávamos falidos. Nesse momento, uni 3 crises, a existencial, familiar e financeira, chegando ao Fundo do Poço e extrema DOR.

Porém, foi no FUNDO do poço que entendi, que de lá não tinha mais para onde descer, só me restando subir. Portanto, foi do caos que me reinventei, transformando a minha vida. Entretanto, perceba, que todo poço é cavado, logo, não existe fim para quem quer continuar a cavar. Ou seja, a transformação surgiu, não pela realidade dos fatos, mas pelo significado que dei a dor e as circunstâncias.

Já ontem, um novo cliente entrou em contato comigo pelo WhatsApp a me perguntar: O que faço para vencer o meu medo de voltar a trabalhar? Quais dicas você pode me dar? Embora, a grande maioria procure um passo, a passo para vencer as suas limitações, infelizmente, não existe uma fórmula mágica, pois todo processo é pessoal e gradativo. Então, eu o respondi: Para vencer o seu medo, só enfrentando-o. Seja na mente ou em campo. Agora, para criar coragem para enfrenta-lo, faça terapia, porque cada caso, é um caso, sendo o caminho uma construção.

Por isso, repito, ressignifique seus sintomas ao ponto de torna-los aliados, em vez de oponentes. Mesmo porque, nenhum sentimento ou sensação, existe em vão. Se são inerentes ao ser humano, trazem respectivas funções e total relevância. Inclusive, na maioria das vezes, são os nossos melhores mecanismos de defesa, pois o medo controlado nos torna mais prudentes e precavidos. Assim como, o excesso de coragem pode roubar-nos a precaução. Além de pôr em risco, a vida de terceiros, já que ao me sentir imortal, coloco o outro na condição de vulnerável. Seja ao dirigir embriagado e atropelá-lo ou ao andar sem máscara e contaminá-lo etc.

Da mesma forma, a ansiedade (moderada) “pode” nos convidar ao crescimento e ao preparo, porque quanto mais sabemos, fazemos e aprendemos, mais diminuímos a nossa ansiedade por repetição e domínio de uma ação. A exemplo de quando ingressei a minha carreira nos palcos. Sempre que era contratado para uma palestra, ficava ansioso, pois vivia o drama da falha e do respectivo julgamento. Porém, em vez de paralisar, a ansiedade ganhava contorno de preparo para amenizar as inevitáveis falhas. Digo inevitáveis, porque não existe perfeição, uma vez que, o que é perfeito para um, pode ser imperfeito para outro. Logo, perdemos muita energia ao buscarmos unanimidade em meio a subjetividade humana. O que nos remete ao ditado: “Se nem Jesus agradou a todos”, quem somos nós?

Enfim, mantenha a calma que amanhã será outro dia. Porém, não conviva com a dor de forma contínua ao ponto de se adaptar. Nem negligencie seus sintomas ao ponto de vir a adoecer. Em casos extremos ou de avanço permanente, procure um psicólogo de sua preferência (eu), para se libertar das suas emoções reprimidas dando início a um processo de autoconhecimento que trará autonomia para sua vida. Afinal, vivemos realmente uma Nova Era, em que, apesar de muitas aparências ostentarem plenitude e abundância, por detrás de certas máscaras se escondem verdadeiros vazios existenciais. Por isso, luxo mesmo, é ostentar saúde mental, ou melhor, equilibrar e sustentar a nossa sanidade para que possamos tocar a vida com serenidade e de forma consciente.

Gerencie suas emoções e realize seus sonhos. Conte comigo, pois estou aqui para ajuda-lo(a) a alcançar o equilíbrio das suas emoções para que possa superar seus desafios.

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Márcio Vaz
Palestrante, Psicólogo e Escritor
www.marciovaz.net

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